quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ode a minha tristeza







Ode a minha tristeza

Nada detém a palavra
Na boca da imaginação
Poeta vomita, lavra
Vês porque tenho razão?

Passou um vento a zumbir
Tentando destruir a plantação
No jardim as flores a cair
Frases poéticas diziam: Não!

O céu despencou sua água
Pensei na fertilidade do sertão
“Vidas Secas” agora flutua
Em meus pensares um grotão

Graciliano se veste de Fabiano,
Pisa a terra árida em desolação
Serve o papagaio para a refeição
À Baleia os ossos, rabo em abano.

Quintana aponta-me as andorinhas
Cantam? Fazendo tremenda alegoria
Defecam em minha cabeça, entrelinhas
E o amor? Passou e levou-me a sabedoria

Cecília traz-me as luvas e canta
“Não sou alegre nem triste”
O meu amor já não me encanta
Nas sombras sou nada, estou em riste

“As casas espiam os homens”
Minha alma é morada da incerteza
Poeta das inutilidades, passam os trens
Sou nada e os dormentes são certezas

Mas sou a cabocla da Cora Coralina
Dentro de mim moram os Orixás africanos
Oxossi guerreiro e Oxum menina
                                                    Entre o rude e a doçura abraço os desenganos!

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