segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vazio

Vazio

Quem me dera saber de mim
Já não estou
Lágrimas foram tantas
Um pássaro canta
quem dera saber-me mulher
Enfrentar os monstros da dor
Um vento passa e assiste
o desnorteio dos olhos
A marcha fúnebre ecoa
quem dera saber-me amada
qual nada, esqueci da rima
Elementar, diriam-me:
Aqui jaz um corpo insólito!

Quem dera as flores também
estivessem vivas
Foram arrancadas
Enfeitam agora o ataúde
e amiúde perdem o cheiro
Ligeiro à cova mais profunda
deito os meus sonhos!

terça-feira, 13 de março de 2012

Poeta maldito

Poeta maldito

Na cova mais profunda
onde habitam as peçonhas
um ataúde de segunda
vermes sugando as entranhas

Sou eu, um poeta maldito
Nos sete palmos fui esquecido
Jogado feito carne podre, parasito
Minha alma grita, maltrapido

Onde está poesia grotesca
as laudas infelizes dessa vida
que gravei a punho, burlesca
Tão ridículo, massa falida

Solidão, pedra e negror
Sem um trago de conhaque
Sem uma lágrima de amor!

Poeta maldito sugere a lápide
escrita pela mão da desgraça
com o punhal que me matou!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Era uma vez

Era uma vez

_Vá e não olhe para trás...Anda!
Repetia a frase com raiva.
Sabia que era definitivo.
O presente não se estenderia,
sem promessas nem sorrisos.
Como viver sem o riso daquela
boca?
Como não mais beijar as
maçãs que nasciam naquele rosto,
vermelhas de timidez pelas carícias
mais ousadas?
Perdido naqueles olhos escuros,
puro encantamento. Escuridão que
onde habitava os sonhos secretos.
Viu-a partir e caiu ao chão, gritando
de dor e agonia.
Insepulto corpo que definhou por
séculos sem que os abrutes o quisessem.
Ela anda por aí, incorporada em flor,
vesttida de preto, rosa negra que padeceu
de amor!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Vida e morte

Porque escrever tantas linhas, rimando
a vida com o sonho.
Criando frases incertas, que somente
eu entendo, ou penso que entendo.
A verdade é que por vezes as palavras
sussurram nos ouvidos como um vento
manso.
Resta-me então organiza-las buscando
o sentido que não é real, é lapídado
pelos meus sentires.
Por isso hoje decidi que os ventos que
cochicham devem ir ao sul buscando
o frio, as adagas de gelo para cravar na dor.
Desde que a morte desse amor se fez
presente, não mais engravidei de
poemas, tornei-me estéril.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Beco das ilusões




Beco das ilusões



Lugarejo onde o tempo

esqueceu o relógio

Acendem-se fósforos

para livrarem-se da

maldição.

As palavras caem sem

assepsia,

leprosas e fétidas.





Há um retumbar de

sons

Vozes de além mar

Fantasmas do passado

agoureiro



E um açougueiro afia

a faca

Lâmina do saber

em sangue a poesia

vai se embebedar

no beco das perdidas

ilusões




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

BANZO


BANZO





Destituída de quereres

folhas pelo vento levadas

banzo que me dá, sofreres

ponte levadiça, eis a vida



Vai e vem os amores

tal chuva passageira

que só aumentam as dores

mantém-me em cegueira



Não vejo uma alma crente

na felicidade plena

vejo um mundo carente



meu vestido velho, alfena

com rosas brancas nitentes

com lágrimas de Madalena!



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