Poeta maldito
Na cova mais profunda
onde habitam as peçonhas
um ataúde de segunda
vermes sugando as entranhas
Sou eu, um poeta maldito
Nos sete palmos fui esquecido
Jogado feito carne podre, parasito
Minha alma grita, maltrapido
Onde está poesia grotesca
as laudas infelizes dessa vida
que gravei a punho, burlesca
Tão ridículo, massa falida
Solidão, pedra e negror
Sem um trago de conhaque
Sem uma lágrima de amor!
Poeta maldito sugere a lápide
escrita pela mão da desgraça
com o punhal que me matou!
